USD/BRL
R$ 5,2288
BCB
DATA: 15/02/2026
O salário continua sendo o principal fator que leva brasileiros a trocarem de emprego. No entanto, ele está longe de ser o único motivo considerado atualmente. De acordo com Milton Beck, diretor-geral do LinkedIn para América Latina e África, a decisão de mudança profissional passou a envolver também aspectos como qualidade de vida, perspectivas de crescimento e, principalmente, a relação com a liderança direta.
“Remuneração e benefícios ainda são o número um”, afirma Beck à revista Exame. Ainda assim, ele ressalta que o mercado vive uma transformação mais ampla desde a pandemia. Muitos profissionais passaram a avaliar não apenas quanto recebem, mas também como trabalham e o impacto da rotina na vida pessoal.
O cenário atual mostra que temas como equilíbrio entre carreira e bem-estar, modelos híbridos e flexibilidade ganharam relevância. Além disso, a expectativa por evolução mais rápida na carreira tem aumentado — e a frustração surge quando esse crescimento não acontece dentro das empresas.
Para Beck, mesmo companhias reconhecidas podem perder talentos caso falhem na gestão direta.
“A empresa pode ser a melhor do mundo. Se a sua relação com o seu chefe não é boa, você tem que sair”, destaca à Exame.
Mais do que oferecer bons salários, as organizações precisam construir ambientes onde haja reconhecimento, desenvolvimento e uma rotina sustentável. Nesse contexto, cultura corporativa, propósito e qualidade da liderança se tornam fatores decisivos para atrair e reter profissionais.
“Se você não sabe lidar com pessoas, a chance de ter uma equipe de sucesso é pequena”, reforça.
A própria trajetória de Milton Beck exemplifica essa mudança. Formado em engenharia mecânica, ele atuou em diferentes setores, passou pela indústria, empreendeu e trabalhou por mais de uma década na Microsoft antes de chegar ao LinkedIn em 2012.
Desde então, acompanhou o crescimento da plataforma no Brasil, que saltou de cerca de 5 milhões para mais de 90 milhões de usuários.
Para o executivo, a ideia de uma carreira totalmente planejada está cada vez mais distante da realidade.
“A gente pensa que a carreira é toda planejada, mas, na prática, ela é uma série de decisões e oportunidades”, explica.
Curiosidade, adaptabilidade e visão sistêmica são habilidades que, segundo ele, se tornaram essenciais em um mercado em constante transformação.
Outra mudança marcante apontada por Beck é a evolução dos processos seletivos. O recrutamento deixou de ser baseado exclusivamente em formação acadêmica e passou a valorizar competências práticas e comportamentais.
O diploma ainda tem importância, mas já não é o único critério. As empresas buscam profissionais capazes de resolver problemas reais, com habilidades alinhadas às demandas do dia a dia.
“As empresas estão buscando pessoas para resolver problemas e, muitas vezes, o mais importante é a habilidade que elas têm, não só onde estudaram”, afirma.
Essa tendência também ampliou a valorização das chamadas soft skills, como comunicação, empatia, resiliência e capacidade de adaptação — competências que ganharam ainda mais destaque durante a pandemia.
A inteligência artificial também aparece como um dos principais vetores de mudança no mercado. Beck lembra que o LinkedIn utiliza IA há anos para recomendações de vagas, conexões e conteúdos, mas o avanço recente ampliou significativamente o impacto dessas ferramentas.
Atualmente, a tecnologia já apoia desde a construção de perfis profissionais até recrutamento e treinamentos. A tendência, segundo ele, não é substituir pessoas, mas automatizar tarefas repetitivas para liberar tempo para atividades mais estratégicas.
“As tarefas repetitivas tendem a ser automatizadas, enquanto o humano fica com o que exige análise, criatividade e relacionamento”, explica.
Para quem deseja aumentar a visibilidade profissional, Beck recomenda práticas básicas, como:
Ele alerta que um erro comum é usar a plataforma apenas como um currículo online. “Perfil parado dificilmente gera oportunidade”, afirma.
Ao final, Beck reforça que carreira não deve ser confundida com identidade profissional. Para ele, cargos mudam, mas habilidades e capacidade de relacionamento permanecem.
“Eu não sou o meu cargo. Eu sou minhas habilidades, minha capacidade de construir e me relacionar”, diz.
Sua visão de sucesso vai além do salário ou hierarquia: envolve impacto positivo, evolução pessoal e desenvolvimento das pessoas ao redor.
“Meu sucesso é quando a empresa cresce, os usuários têm resultado e meu time evolui junto”, conclui o executivo.
Fonte: Exame
Valores atualizados periodicamente
* Valores informativos. Consulte fontes oficiais para decisões financeiras.
R$ 5,2288
BCB
R$ 6,1956
BCB
0.33%
BCB
14.90%
BCB
0.39%
BCB